A tarde cai, com ela cai o imperador. Aquele que ilumina, aquele que aquece, aquele que trás a alegria. Sua sombra, sua companheira no bailar eterno, aflora de horizonte a horizonte. Riscando o céu com a sua luz roubada ao senhor imperador, desejando de dia para dia o seu encontro que ocasionalmente ocorre de tempo a tempo. São dois corpos que correm freneticamente um atrás do outro. Não tem luz própria, mas tem vida. A minha alma sonha a contempla-la, silenciosa na noite. Sonhos de encantar, de embalar, de desejar por mais, onde não existem espaço para nada mais que pura beleza. Sonhos brilhantes e inspirados pela vida, reviver o passado e desejar um futuro. A paisagem é densa e subtil. Pássaros cruzam os céus rasgando o ar, na sua busca incessante de liberdade. Não são livres pois são escravos de uma gravidade impiedosa. As pedras que pairam no solo contam histórias milenares onde o tempo impressiona pela sua elasticidade. Não são elas que explicarão as razões da minha busca, mas são elas que vão presenciar o confronto, aquele que antes de ser pensado está a ser anunciado. Os sons flúem calmos, melódicos, relembrando que estou na própria natureza da minha projecção. O poder de impor uma qualquer vontade está sempre à mão, onde eu sou o imperador, o guia. Abro a boca para em desespero e agonia de um sentimento vazio e vago, soltar um verdadeiro grito das profundezas do meu ser, um grito que ecoa pela planície, longas são as distâncias percorridas, longo é o tempo de espera. O eco chega tardio e bravio, tornando o confronto evidente. O som que sai o som que entra… Tal como a luz reflectida do imperador a sua inconformada dama que retribui, reluzindo todo o seu esplendor. A lua clama o seu direito, e eu? Eu sonho no seu confronto, na sua luz e brilho. A terra gira, os astro bailam no seu caminho e eu sigo desejando-te. Não vejo as tuas formas, não defino cores, mas sinto a presença, somente tua. Sigo na definição da tua imagem. Aquela que tanto desejo, aquela que tanto espero, essa é a natureza da minha inquietude. Acordo, mais uma vez de outra das minhas divagações, onde não existe espaço para limites.Desloco o meu olhar para a janela. As carruagens seguem-se uma a outra, enquanto a paisagem segue lá fora em constante mutação. Tristezas, quando sinto a sombra da morte, extensões completamente dizimadas pelos fogos, duvidas surgem "O que terá originado este fogo?". É doloroso ouvir a mãe natureza chorar essa perca, é doloroso sentir em parte culpado pelo que aconteceu. A minha mente vagueia pela maldade que existe, em mim, nos outros. Ora a minha mente vagueia pelo amor e carinho que existe. Questões e sentimentos. A minha alma paira livre, mas só. Decido visitar uma velha amiga, amiga que quando está presente recorda-me velhos tempos. Tempos em que apenas era mais um jovem, queria mudar o mundo e seu modo de ser, mundo bruto, energia mal gasta. Lembro-me com carinho, os tempos em que estávamos todos deitados na relva, relva fresca, divagando nas nossas ideologias. O nosso propósito, a nossa missão. "Filhos de um povo só", esse era o nosso título. Ideologias de faziam-nos pensar que o mundo poderia ser as "bolinhas", colorido. Mais agradável que o presente, onde para mim não existe "tempo" para ver as desgraças na televisão. Onde o entretêm das almas perdidas desde mundo desorientado alimentam-se da decadência a que parece estar a ser escrita nos nossos rumos. Recordo-me de velhos tempos… bons tempos… E por que não voltar a ter um bom momento agora… porque lamentar-me com as coisas do passado? Quero viver, quero ser livre da melancolia. Hoje estou motivado, convicto do que quero, de onde posso chegar. Passo uma tarde fabulosa na praia onde a conversa, a boa disposição é regra geral. Onde o complemento é encontrar espaço para poder partilhar os mais íntimos dos sentimentos, aquele momento em que é claro e definido que estou a fugir as minhas fantasias de eterno sonhador. A carência, o amor, a amizade, coisas da vida. Onde a tristeza é tão bem aceite como a alegria. E por que negar, aquilo que faz parte de nós, aqueles sentimentos tabus que "só podemos demonstrar aos mais íntimos dos amigos". O nosso motor, nossas emoções que são claramente nosso corpo e alma. Sinto-me completo, cheio de emoções que fazem desejar e sonhar. A noite é apenas mais uma, mas eu não o vou permitir. Eu tenho o poder de torna-la uma noite diferente, eu sei disso e por isso guio os meus propósitos. O meu ânimo transparece pelas minhas expressões. Cada olhar trocado no sítio do costume é retribuído com um sorriso. Isso é a verdadeira satisfação. Troco de olhares contigo, bem não sei se é por estar acompanhado por um amigo, mas depois de exteriorizar os meus desejos, não resisto a deixar a minha satisfação longe de ser incógnita. Deixo-te uns elogios no "ar", até por que pela tua expressão, pareces não ter tido um dia satisfatório. Dou-te aquilo que sem pedires é oferecido simplesmente pela tua beleza. Encantadora. Essas misturas de sorrisos, palavras bonitas, empatia, só deixo-me a desejar mais. Não, não sinto paixão, pois a verdade é que ainda não conheço os teus sentimentos, o que precisas… sei é que sentiste algo… e por que esconder? Hoje estou verdadeiramente feliz. Descobri que não acredito no destino, Acredito sim, no que quero. O que quero? Não vou responder, só vou dizer que é precisamente aquilo que tu queres também.