Breve nostagia que assola as noites,
neste grito rasgado em voz rouca.
Que recorda que de todas as vezes foram poucas,
mantendo por largos tempos o olhar afastado
do jogo de emoções das tardes quentes.

Foi Rei e morreu.

Caiu na sua própria desgraça e não disfarça
que o seu leito molhado e desarrumado já nada tem graça.
Dessa morte não sei dizer e acho que não há nada a fazer.
Dessa lágrima que desce quente e arrefece rapidamente.
Nos sonhos fracassados e não contados pela vergonha,
que o menino veio ao mundo, entregue por uma cegonha.
O ténue fio dessa breve memória, aquela registada pela história.

E enquanto o Rei estiver vivo o leito da sua Dama será sempre aquecido.

O nobre que no fino traço desenhou as belas curvas da Dama
Sobre a folha branca, deitado, corpo desnudado na cama.

Das Damas lindas como ela.
Conta-se que uma princesa bela
Numa noite de luar
No mar foi banhar.
Foi-se livrar dos seus pecados.
Dos seus feitiços e encantos
Repletos de perigos e outros tantos.
Deixando na areia, a roupa sua
Ali viu o Rei a sua Dama toda nua
Nas águas escuras banhou
O Rei sonhou e desejou
E das mãos da Dama colheu
A água fria como o breu
Fogo de uma ousadia tamanha.
Dois corpos nús, um ao outro banha
Ela admirou-se da sua fama, seu esplendor
Sua beleza, inspiração ao conquistador.
O silêncio profundo é perfeitamente audivél
O Rei morreu, viva o Rei. É incrivel.


© Mestrinho