Primeiro não havia nada
Nem mesmo o fino fio da navalha
Nem sentido nem o pensamento obtuso
Estava completamente confuso
Pois não havia nada,
Senão o espírito de tudo
Quando vislumbrei as curvas
que tomam forma de uma diva
Espírito de tudo e que priva
Torna-se o verso e reverso
De tudo que é o universo

Neste primeiro olhar
Assim que passei a desejar
Tudo quanto não havia neste
Sentimento de alegria
Assim passou a haver
Num determinado dia
Vendo-te ali deitada
tão calma e serena
tive vontade de deitar
ao teu lado, mesmo com a alma pequena
sinto o meu olhar
distante, observando teu
corpo nu, sorri suavemente.
abrindo os olhos e a fitar...
Confundir corpos, sentir inteiro,
sem medo e sem pudor
movimentos lentos e ritmados
a loucura de amar.
Nesta carne sobre a carne
gravada numa tatuagem
um só corpo, uma só carne
Da serpente no cio
sedução do prenúncio
do íntimo do desejo.

Sobre a cama
nudez envolvente
que paira sobre a mente
o delírio do destino
As mãos que descobrem os segredos
os lábios que descrevem os gemidos
amor sem tradução longe dos medos



Dois anos estão quase completos, não vou lembrar de todas as palavras pois já me esqueci de algumas, ainda vou conhecer outras, talvez escreve mais uma ou duas. Provavelmente, sentirás o que eu sinto.
Neste tempo passado os meus cabelos ficaram mais claros, meus olhos procuraram mais cores, meu corpo ficou muito tempo sozinho, e minha alma renasceu uma outra diferente. Várias palavras foram escritas. Vários textos criaram vida. Jogados ao vento, expostos, para todos verem. Alguns deveriam ter ficado na gaveta, lá no fundo, para só serem esquecidos. Mas, fazer o que, eu sou assim. É o meu jeito, apenas isso.
O carinho que vem na hora certa, o colo pronto, sempre que é preciso. O sorriso. O beijo saboroso. Os momentos só meus ou nem tanto.

© Mestrinho 2006