(René Magritte - "La Lumière des coincidence" - 1933")


Entre palavras,
lágrimas e emoções,
O sentimento indomável,
do amor impecável,
Cheio de dialogos parvos,
Monologos absurdos.
Nas mãos pertinentes,
Na tortura inocente
No silêncio que vigia.
Com a tua demagogia
Na infecção semântica.
O limite do apego,
O sossego,
mais que os olhos, o olhar.
Sorriso omnipresente,
Sentimento recente.

Do amor eu tenho parte,
Corpo curvo em forma de arte,
Sobra a parte de outra parte.
Outra parte é ninguém,
outra parte linguagem,
Uma parte pesa e pondera,
outra parte delira,
Uma parte grita e canta,
a outra parte se espanta
Uma parte é permanente,
outra parte aparece de repente.
Uma parte é só vertigem.
Outras partes se convergem em ...
uma parte de cada vez.

E assim nasce o poema,
Composto de muitas partes...
e se reparte.



© Mestrinho 2006