Por vezes quero descer à terra, mas no escuro
respiro e não percebo, sou como se não fosse,
só há sombras que dançam e ruídos em redor.
E pergunto por que desço, por que me procuro
sem ciência nem método, por que tomo posse
da noite, quando é o dia que é nítido e tem cor.

Porém, de dia nem tudo é perfeito, há medos
que enchem de névoa os olhos. E o desespero
alastra como densos laivos de tinta numa tela;
tudo escurece e alimentas mágoas e segredos,
escondes tudo o que dentro de ti é sincero,
num esgar encurtas o horizonte na tua janela.

É triste quando o dia se intersecta com a distância,
em ímpetos de frequências aparentes e calmas…
quando noite e dia se olham e não se compreendem.
Mesmo unindo-nos um sentimento em consonância,
de facto “Há dias em que as nossas almas
realmente se amam, mas não se entendem…”

© Lia Lemmi @ Blogalize 2004.12.16