foto: José Manuel Ribeiro/Reuters

Pasmem-se aqueles que estão a pensar que esta foi uma manifestação pacifica no seu contexto, foi deveras violenta para as politicas que este governo está a conduzir, a sede de passar por cima do tribunal constitucional. Esta luta não é contra um partido ou outro, é um chumbo e um protesto sem bandeira política, sem sindicatos sem caras, com fundamento, com emoções, COM PESSOAS, de muitas orientações políticas e ideológicas. Que de fundo é o que se trata esta contestação social que desta vez abrangeu de alto a baixo esta sociedade Portuguesa que me deixou surpreso por ver outras personalidades públicas a dar o corpo ao manifesto, a ver famílias inteiras. Portugal tal como esperava ontem entrou na boca do mundo (protagonizado por um povo que marca a união, que sabe o que quer do seu futuro).

Cheguei à Praça José Fontana em Lisboa e mal esperava eu para uma vaga gigantesca de pessoas onde a Avenida da Republica mal aguentava com a massa de gente que gritou em uni som, estamos fartos dos rumos que o(s) Governo(s) nos leva. Sem estar nada espantado a manifestação que esta programada até à Praça de Espanha correu como esperado, carregada de emoção, zanga, sofrimento e muita coerência. Andei no protesto como todos, a pensar, já não sei se posso ter um filho (que futuro posso eu dar a ele se nem o Governo consegue resolver o nosso e reparem eu trabalho!! Mas tenho de transferir parte do meu ordenado ao meu patrão? ), que futuro terão os filhos dos meus amigos, que futuro terão os meus pais, que futuro terão os meus vizinhos, afinal quem somos, que governo é este que nos ataca em vez de nos encontrar soluções dos seus próprios erros? Entre muitas outras questões que me passavam pela cabeça, tal como com outros manifestantes com quem tive a trocar ideias e impressões, sobre o que realmente se estava ali a passar.

Vi idosos, crianças, bebés, classe média, pobres, ricos, famosos em suma, vi Portugal ali na Avenida. Vi desempregados, determinados a não serem dependentes de um subsidio, querem trabalhar PORRA e ter uma vida normal e digna. Vi formados, licenciados, doutores, trabalhadores do público, trabalhadores do privado, perdi-me de vista no meio da multidão a tentar perceber o que sentia.

Cheguei a casa liguei a televisão e vi uma miúda a ser entrevistada que chorava, por desespero, sem perspetiva de futuro, falava em emigração, um amanhã que poderá nem sequer existir como o conhecemos. Chorei e percebi então o que estava a sentir.