Sem querer impingir alguma qualquer ideologia sobre o Erotismo os Poemas que estão colocados no Blog são apenas (um de muitos espalhados pela blogosfera), fruto de um escrita por vezes em metáforas e hipérboles, sem pretensões de explicar ou condensar todos os detalhes do Erotismo. Posto isto, é natural que não tenha o mesmo contexto para todos os leitores; não esperem nada de invulgar, pois este é apenas um Blog Quase Erótico. Aqui o autor pretende falar de tudo, expressamente do que gosta de escrever. Para quem já conhece o Blogalize - Um blog quase erótico... já conhece as prosas e versos, onde são dedilhadas palavras que falam na plenitude do amor, na paixão, na sedução, no dia a dia, no sentimento (estranhamente familiar). O Blogalize tem uma história um tanto insólita e nasce de um projecto pouco definido chamado “O Universo Blogalize”.

O Inicio do Projecto.

“O Universo Blogalize” é o trabalho que o autor tem desempenhando na área da poesia e do erotismo (veja aqui), nasce sem propósito e assunto definido nas páginas do Sapo em, Outubro de 2003 em Blogalize (actualmente desactivado). Inicialmente e até à data evolui, em conteúdo, originando a sua evolução, integralmente, onde com o tempo e o respectivo feed-back dado pelos leitores, criou o verdadeiro interesse e motivação para dar continuidade ao seu objectivo e a um caminho por seguir. O Blogalize hoje em dia está já alojado no Blogger desde Janeiro de 2006 em Blogalizeme, sendo este um alojamento para o Blog com melhor desempenho.

Notas adicionais;

As imagens e template foram retirados da Internet em sites devidamente indicados (material identificável é assinado com o seu respectivo link dando assim os créditos ao autor ou site de suporte para o seu trabalho), os textos e poemas são do autor e é fundamentalmente fruto da experiência de vida, do conhecimento, a imaginação e algumas fontes da literatura, onde este gosta de encontrar a sua criatividade, a verdadeira motivação. Poemas e prosas que detalham a visão positivista da vida e no seu percurso para o atingir.

Da ideia a realização.

Tendo em vista o desenvolvimento do Blogalize, conforme já tinha anunciado anteriormente, este texto é uma síntese de conceitos, que tenta desta, forma esclarecer o leitor sobre a ênfase que o autor aplica a sua escrita, moldando assim os propósitos do mesmo.

“Se conhecêssemos a origem de cada uma das partes de um ser vivo qualquer (por exemplo o Homem), poderíamos, a partir dai e por razões matemáticas exactas, deduzir a forma de cada um dos seus membros. E, inversamente, se conhecêssemos as diferentes peculiaridades daquela conformação, poderíamos deduzir a natureza da sua origem.” Filosofo e matemático francês René Descartes, Século XVII.
Certamente que a curiosidade do Homem em descobrir a origem de tudo, incluindo a sua própria existência, serviu de estimulo para a evolução do seu conhecimento. Iremos pois nesse conceito, evolutivo, falar do Erotismo enquanto o catalizador da sua própria Evolução. A Evolução que beneficiou o Homem com uma sexualidade extraordinária (manifestada desde a infância por Freud) e o seu domínio, nenhum animal desfruta tanto do sexo como o Homem e a Mulher, dotados de inteligência sexual fazem-no pelo prazer. O Erotismo impregna, e enriquece a vida quotidiana, seja de forma inconsciente, seja pela sua manifestação pela sedução. No entanto na sua omnipresença, a sexualidade Humana está cheia de tabus e mitos, que na maior parte das vezes, impedem a sua plena liberdade e saudável.

O Erotismo, esse sentido que está presente na literatura e acompanha a evolução do Homem desde o seu inicio. Induzindo o sensualismo dos românticos e sonhadores, associado ao modo de ver à manifestação sexual como doença pelos falada pelos escritores naturalistas, este e outros motivos que preparou o “ambiente” dos tempos modernos, criou abertura para o seu domínio do tempo presente, caindo o conservadorismo na sua própria “armadilha”.

Na evolução erótica não houve grandes avanços poéticos até a passagem para o século XX, com grandes. As dificuldades de expressão permaneciam e foi encontrada a forma das palavras seguirem o seu trânsito livre, dando-se a inovação da nova Era em que se descobre cada vez mais sobre os segredos e enigmas da personalidade, no auto conhecimento, iniciado por Freu na primeira grande teoria moderna sobre a personalidade, a psicanálise freudiana e saltando para a “Maja Desnuda” que é a primeira figura histórica da pintura que mostra os pêlos púbicos, confiscada pela Inquisição por serem consideradas obscenas. Não obstante sempre houve um aprimorar dos cânones de beleza ao longo dos tempos, seja por Apolo, símbolo da perfeição física da Grécia, seja por Nefertiti considerada a Mulher mais formosa do Antigo Egipto, seja pelo conceito de beleza estética representada na Vénus Pré-Histórica, Mulheres roliças, com excesso de curvas para os gostos de hoje em dia, seja pela função social das termas romanas, seja por Cleópatra, Rainha do Antigo Egipto dotada de extrema beleza que seduziu Júlio César e o seu império, e muito mais poderia mencionar.

Nos tempos mais próximos à data, desde a vertente puramente Erótica, mais espontânea, tal como nos poemas de “mal dizer”, surge na sua época o famoso exemplo do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, (o testemunho), que revela a transgressão da moral dominante, falar de sexo era motivo para rir de vergonha, reflexo da repressão e ainda assim, “por baixo do pano “, molhavam-se as penas no tinteiro desde os poemas eróticos-satíricos que conduzem à sedução (que destrói muros como a censura).
Assim, o Erotismo deverá ser visto cronologicamente. Será uma questão de tabu ? É apenas uma mudança gradual da “moralidade” de cada sociedade, mediadas por diferenças culturais (exemplo: denota-se que existem diferenças no padrão da beleza oriental e a ocidental).
Estaremos a progredir na extroversão do sentido básico do “eu” erótico? Essa será uma resposta que cada poderá dar por si, ponderando o papel dos meios de comunicação (dos seus primórdios à actualidade), a emancipação sexual, o adultério, a importância dada a uma relação, aos factores externos (filhos, familia, etc), em suma, todos os factores que podem variar ou condicionar o “ser” no seu “Eu” (conceito do narcisismo segundo Freud (1)) e mesmo em relação à sua infância.
Muitos escritores, glorificam a sensualidade com libertadora, outros comparam-no como enfrentar uma ditadura com oposição (comportamento natural do Homem, o medo, relacionado com o egocentrismo) herança dos tempos de opressão. O profundo desejo dos ser Humano em se “perder” e libertar a alma, exorcizando todos os seus preconceitos e fantasias. A criação do herói caracterizado como o “mau da fita”, que seduz e no lado mais obscuro de cada um desperta desejos de encarnar a personagem, como ter duas personalidades opostas, “o que tenho de fazer” ou “o que fiz?”.
No inicio é preciso estabelecer que o Erotismo é uma transgressão baseada no desejo do auto-prazer, o Erotismo, esse motor que acciona e põe em marcha a nossa sexualidade. Mas o que é o erotismo !? A resposta está na herança antropológica, herança que hoje em dia faz vender automóveis, álcool, roupa, gás, etc. O Erotismo hoje em dia, impregna a nossa sociedade, lidera os mais profundos dos desejos de Homens e Mulheres, tornando única e genuína a nossa individualidade e singularidade. Por vezes difere nos cânones e gostos por diferenças culturais, históricas e religiosas, aquelas que impedem que se alcancem um consensos global. Mesmo assim conseguimos ser o Homo Eroticus do Séc. XXI, onde surge a sua nova vaga de padrões de Erotismo, seja por moda, por auto estima (imagem pessoal), onde a evolução cronológica mostra-nos as numerosas mudanças de conceitos. Sem dúvida que um dos principais desencadeantes Eróticos é algo tão volúvel como a beleza (o que é para uns, belo, poderá não o ser para outros). Falar de sexualidade é como entrar na “zona proibida” de cada indivíduo onde o Erotismo se converte em um catalizador do desejo sexual. A sedução como jogo não verbal, as insinuações, as comunicação gestual e corporal, falam-nos de uma subjectividade e revelam a complexidade do Erotismo, que jamais poderia ser quantificado de forma precisa. A Era em que a sensualidade é o iceberg da sexualidade, que só revela parte da sua totalidade para atrair até ao fundo, sempre acompanhada com o seu adereço de beleza e da auto-sugestão (base do neo-erotismo). Falar de Erotismo na prática é falar de encontros, dos antecedentes, dos preliminares e contextos antes e depois do contacto carnal. Por isso ser Humano, é aceitar a sua sensualidade (sentido primário), o pilar da nossa auto-estima, com ou sem pudor, com ou sem tabus, em suma é sermos nós próprios completos de sonhos e desejos de prazeres.
O Erotismo que não só move as atenções das grandes massas a uns e volumes de capitais para outros, mas também move os nossos corações e a nossa forma de estar no mundo.
Como está relacionado o sentimento de amor e paixão. Afinal o que é o amor !? É uma pergunta para a qual temos de encontrar uma resposta dentro de nós. Para vos dar uma luz na resposta tomemos como ponto de partida a experiência - chave do amor, quando um indivíduo, encontra em si a sua sexualidade “porto seguro” da auto-estima. Por exemplo no amor de duas pessoas, que num dado momento da sua vida, iniciam uma mudança, tornam-se disponíveis para se separarem da sua solidão, para dar origem a uma nova união (partilha), em suma, uma fonte de prazer para cada um. Entram então em estado nascente, num estado fluido e criativo, no qual se gostam reciprocamente e tendem para a fusão dos prazeres. De tal modo eles formam uma cumplicidade, uma colectividade de altíssima solidariedade e altíssimo erotismo. É no seio do prazer que cada indivíduo realiza os seus sonhos eróticos e não eróticos, as suas aspirações, as suas possibilidades, porque para o Homem não existe vida sem amor.
Perguntemo-nos então o que é o amor como emoção, sentimento, experiência de vida. Talvez uma conclusão de diversos factores.
“A sedução não pode estar totalmente clarificada porque é no segredo de sua existência que ela existe.”
Seduzir não é copiar, mas sim a arte de inovar, não é um ícone, não é uma imagem (embora possa ser retratada).... Mas afinal o que é a sedução? Tendo em base a afirmação "O feminino não se opõe ao masculino, mas seduz o masculino", verificamos o valor que o feminino representa na sedução. O “Poder” de seduzir que a Mulher possui como dom natural, muito mais “transparente” na Mulher que no Homem (fruto da herança cultural). Poder de atracção e de distracção, poder de absorção e de fascinação, poder do sexo, real em seu conjunto, poder de desafio - nunca uma economia de sexo e de fala, mas um lance de graça e violência, uma paixão instantânea a que o sexo pode chegar, mas que também pode se esgotar em si mesma. A sedução não é o terreno de jogos e astúcias sexuais, mas "uma forma irónica e alternativa, que quebra a referência do sexo pornográfico (existe uma forte distinção), espaço não só de desejo, mas de desafio". Seduzir é chamar a atenção, é entregar-se aos desejos mais íntimos, onde seduzir é como dominar e controlar o sentimento catalisador do impulso (a decisão). É o despertar da sexualidade no sentido global.
Mas, se tudo é sexualidade e aí se encontra uma espécie de jogo e de aventura, se os discursos soam como que um comentário eterno de sexo e de desejo, nesse sentido poder-se-ia dizer que todos os discursos tornaram-se discursos de sedução. Mas é uma sedução branda, cujo processo vem a ser sinónimo de tantos outros: manipulação, persuasão, gratificação, ambiente, estratégia do desejo, materialista... A verdadeira sedução é mítica e cheia de fascínio. Está em toda a parte como uma simulação preconizada.
Quanto aos pilares do conceito, predomina a importância do contacto, do contacto pelo contacto, que se transforma numa espécie de auto-sedução sem linguagem, baseada na comunicação gestual / corporal ou apenas troca de olhares. A sedução apenas define que existe “outro” prazer, pois na ausência do sinal de reconhecer o “eu” Erótico deixamo-nos de sermos nós próprios.

Na poesia

A poesia é, e na maior parte das vezes, pensada como o exercício mais radical que existe com a língua, como a busca da sua máxima potencialidade, como um modo de se perder na observação das palavras e do mundo à sua volta, dedilhando palavras em várias perspectivas, movendo-as, virando-as, brincando, jogando, idealizando ao mesmo tempo a forma lúdica e lúcida de pensar a linguagem corporal e sensorial. No texto poético, descobrimos outras vozes em nós, descobrimos o que o nosso lado racional esconde a razão do irracional, pintamos quadros, sentimos, aprendemos etc,. Eu creio que no corpo do poema encarnamos o corpo físico e despertamos a nossa sexualidade, encarna-se na personagem ou na paisagem.
Por vezes a poesia é mesmo intraduzível, é apenas uma mescla de sentimentos, por vezes a poesia é mais Erótica, por vezes é mais envolvente, por vezes é banal, por vezes é apenas um amontoado de palavras desconexas que transmitem sentimentos complexos. A Poesia Erótica é apenas uma transmissão do que nos seduz neste mundo, composta de metáforas, versos líricos, prosas, ênfases, desejos, visualizações, premonição e experiências, a poesia representa neste universo uma canção doce de “embalar” que recria ou cria um Universo mais Humano, mais em contacto com o nosso íntimo. Este é o objectivo do Universo Blogalize.
Obrigado
André 2006

Ps: Qualquer dúvida ou sugestão sobre o conceito, o autor agradece um feedback

(1) A palavra narcisista se refere a alguem que se preocupa demasiadamente por si mesmo, considerando-se superior a todos incluindo seus amigos e sua familia. A palavra narcisista, vem de Narciso, personagem da mitologia Grega.
A Lenda de Narciso. Narciso era um jovem muito bonito. Muitas mulheres queriam namorar com ele, mas ele era muito vaidoso e orgulhoso e rejeitava a todas. Uma das mulheres rejeitadas foi a menina Eco. Eco se sentia perdida e se trancou em seu quarto sem comer nem beber. Assim se foi consumindo lentamente de dor, até que desapareceu e somente podia-se escutar sua voz nas paredes do quarto. Dai a palavra "eco".
A deusa Nemesis (A deusa da vingança) escutou as preces de Eco e decidiu castigar a Narciso para que sofresse da mesma maneira que ela. Um dia, Narciso foi tomar água no rio. Ao agachar-se e beber, viu sua própia cara refletida na água. Nemesis usou seus poderes para que Narciso se apaixonasse loucamente por essa imagem. Narciso não podia deixar de olhar-se. Queria tocar sua imagem e abraça-lá, mas não podia pois desaparecia ao tocar na água. Nem podia vê-la bem, pois as ondas do rio o impediam. Ele não podia beijar-se, pois a imagem desaparecia. Assim tratando-se de admirar a sí mesmo, pulou no rio e se afogou.
Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Narcisismo"

Outras fontes:

- Psicanalise - A perversão Paula Gomes
- Gurfinkel, Décio.
- A clínica da dissociação. In: A clínica conta histórias/ Lucía Barbero Fuks, Flávio Carvalho Ferraz. ( Orgs. ) – São Paulo: Escuta, 2000
McDougall, Joyce.
As Múltiplas faces de Eros: uma exploração psicanalítica da sexualidade humana – São Paulo: Martins Fontes, 1997
Mc Dougall, Joyce.
Teatros do eu.
Nasio, Juan-David.
Lições sobre os sete conceitos cruciais da psicanálise – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,1997

- http://www.freud.rg3.net/
Estudo sobre a Psicanálise Freudiana

Agradecimentos.

Aproveitando também para agradecer todo o carinho deixado pelos seus amigos dos Blogs e por todos os que por aqui passam. O meu sincero e profundo obrigado a todos.