Fotografia de Marisa Caichiolo - Dendrobates histrionicus



Despejos da beatitude*
Complexa e com atitude.
Em tons de poesia descontrolada
Composta de fonética e palavras
Cheia de tudo, cheia de nada.

- O meu nome é Poesia. Diz.
Sou tua, e tua alma é minha.
Imagens estáticas, vaporosas;
Que convidam para a dança
Sejam em versos, sejam em prosas.
Entre frases e sentimentos

Ela move entre os abismos
Dama segura e atraente.
Sobe e desce pelos sonhos,
impelindo escritos dementes
Sustenta entre a loucura e a sanidade,
a poesia provocadora que alimenta.
Uma chama que ilumina a negritude.
Um vento que refresca e condimenta.
O vinho que acompanha carne

Palavras banidas,
Palavras traidas,
É poesia...

Sem entender o universo,
Esforçamo-nos inutilmente
Para a fazer bela
Transparente, atrevida,
indignada e coerente,
querendo dominá-la.

Nesta voz do vento,
Quero o fogo de sabedoria
Em uivos de lamento
Era tudo isso que eu queria.

Tenho medo de viver como se tivesse perdido.
Morrer sem nunca ter a entendido.


* bem-aventurança;

© Mestrinho 2006