Photo: Marisa Caichiolo

Destas ínfimas imagens,
gravadas nos limos da memória
que compõe os versos desta história
Fiquei calado,
de corpo e alma, abraçado,
ensombrado pelo não aproveitamento
de todas as delícias do momento abstracto.
Do acto que admite os mecanismos do desejo
sobra o gesto espontâneo sobre as sete chaves,
deste enigma, pairam a respectivas claves
da fechadura que cede
e por todas as direcções se perde.
Aquele cheiro que flutua no ar
solto, liberto, a divagar
Interessante Mulher em carne
deixa o coração que arde.
Que no grito de voz humana
no fundo do ser emana.
Este doce truque de magia
O verdadeiro antídoto de agonia.

Por isso…

Preparo com amor e com carinho
Em fogo brando
Tempero levemente com o orégãos
Cubro de alecrim
Saboreio aos poucos
Aqui e agora, este
Desejo é de loucos.

Antes que possas perceber
O que está a acontecer
Preparo novamente
Corro em tons suaves e roucos
Devoro aos bocados
Admirando, a "presa" nos meus braços
nesse doce devaneio,
consumido antes do cansaço.

Terminado o ritual
Em acto glorificado
Cruzamos nossas almas
Pensamos em harmonia [Tem dias…],
pois cometemos o delito sem pressas,
nas calmas.

No cálice, sorvemos a seiva da feliz alma que deixa o coração a palpitar.
Sentimento em turbilhão,
como a força de furacão.

Desejo, profundamente...

Alimento...

Guardarei um pouco de ti, pois amanhã ainda é dia.

© Mestrinho