A poesia, para mim, nunca foram apenas palavras organizadas, ela sempre existiu como uma presença viva, feminina, antiga, insistente. Quando escrevo sobre ela, não estou a inventar uma personagem, estou a reconhecer uma entidade que me antecede e me transcende. Sinto-a como uma figura arquetípica, uma espécie de musa primordial, mas também algo maior, quase uma divindade íntima, aquela que se deita entre o que vejo e o que sonho. Ela domina, seduz, guia. Às vezes sou eu que a invoco, outras vezes é ela que me reclama. Percebo que ela habita o espaço onde a razão e a loucura se encostam. A criação sempre brotou desse limiar, dessa zona onde tudo pode nascer ou se desfazer. Quando digo que ela se move por abismos, estou a falar desse território interior onde o inconsciente abre suas portas. Ali, imagens se formam sozinhas, vozes esquecidas se revelam, e eu me torno apenas testemunha daquilo que passa. A poesia é a guardiã desse portal, a mensageira que vai e volta, trazendo fragmentos...
Esta letra (e poema original ) descreve uma meditação poética sobre o amor, a nostalgia e o desejo. Fala de lembranças do passado, da perda e da intensidade emocional que renasce através da paixão. Mistura dor e ternura, mostrando o amor como uma força vital que atravessa o tempo e transforma a alma. Espero que gostem.