"Segura os Sonhos" é um poema, mais tarde convertido e adaptado para música, construído sobre uma tensão constante entre o colapso e a resistência. A estrutura é para ser ritualística, avançando por ciclos de queda e levantamento. Há também uma dimensão ancestral interessante, com a terra e o corpo a funcionarem como extensões da alma. O sonho não é apenas pessoal, parece herdado, colectivo, mais velho do que qualquer palavra. Letra: Segura os sonhos… antes que o silêncio os engula sem nome, há vozes antigas escondidas na fome, há fogo enterrado debaixo da dor, há um sol oculto à espera do calor. Quando o sonho quebra, o corpo cai primeiro, fica o mundo cinzento, vazio e inteiro. A alma encolhida aprende o silêncio a guardar, como porta esquecida que ninguém vai abrir, como rio sem leito que não sabe correr para o mar. Mas há qualquer coisa que recusa morrer, uma brasa funda que insiste em arder. Se o segurares mesmo sem estrada, ele cresce lento por dentro da madrugada, ...
Sobre tudo sobre nada. Um nada que faz parte de tudo.