"Segura os Sonhos" é um poema, mais tarde convertido e adaptado para música, construído sobre uma tensão constante entre o colapso e a resistência. A estrutura é para ser ritualística, avançando por ciclos de queda e levantamento. Há também uma dimensão ancestral interessante, com a terra e o corpo a funcionarem como extensões da alma. O sonho não é apenas pessoal, parece herdado, colectivo, mais velho do que qualquer palavra. Letra: Segura os sonhos… antes que o silêncio os engula sem nome, há vozes antigas escondidas na fome, há fogo enterrado debaixo da dor, há um sol oculto à espera do calor. Quando o sonho quebra, o corpo cai primeiro, fica o mundo cinzento, vazio e inteiro. A alma encolhida aprende o silêncio a guardar, como porta esquecida que ninguém vai abrir, como rio sem leito que não sabe correr para o mar. Mas há qualquer coisa que recusa morrer, uma brasa funda que insiste em arder. Se o segurares mesmo sem estrada, ele cresce lento por dentro da madrugada, ...
Quando escrevi esta letra, o meu objectivo foi pegar no espírito do “ Abstract Matter ” e trazê-lo para um lado mais tribal, mais físico e menos limpinho. No vídeo original eu estava a brincar com ideias cósmicas, com a nossa pequenez no meio do universo, com aquela sensação f****a de perceber que somos poeira a tentar perceber-se a si própria. Aqui, em vez de ficar preso à filosofia e às imagens bonitas, puxei tudo para o corpo, para o ritmo, para o instinto. O “Abstract Matter” nasceu de uma viagem muito minha, aquela realização de que somos quase nada no meio de tudo isto, mas que mesmo assim esse nada tem peso. Agora, na letra, faço o mesmo mas com batida, com voz, com pulsação. É como se o universo deixasse de ser uma cena distante e começasse a bater dentro do peito. Quis que esta versão soasse a ritual, a fogo, a poeira, a respiração. Quis que fosse uma conversa com o cosmos. Uma conversa crua, humana, instintiva. Aqui eu não estou a tentar entender o universo, estou a sen...