
Quando escrevi esta letra, o meu objectivo foi pegar no espírito do “Abstract Matter” e trazê-lo para um lado mais tribal, mais físico e menos limpinho. No vídeo original eu estava a brincar com ideias cósmicas, com a nossa pequenez no meio do universo, com aquela sensação f****a de perceber que somos poeira a tentar perceber-se a si própria. Aqui, em vez de ficar preso à filosofia e às imagens bonitas, puxei tudo para o corpo, para o ritmo, para o instinto.
O “Abstract Matter” nasceu de uma viagem muito minha, aquela realização de que somos quase nada no meio de tudo isto, mas que mesmo assim esse nada tem peso. Agora, na letra, faço o mesmo mas com batida, com voz, com pulsação. É como se o universo deixasse de ser uma cena distante e começasse a bater dentro do peito.
Quis que esta versão soasse a ritual, a fogo, a poeira, a respiração. Quis que fosse uma conversa com o cosmos. Uma conversa crua, humana, instintiva. Aqui eu não estou a tentar entender o universo, estou a senti-lo. Estou a deixá-lo entrar.
No fundo, esta letra é a mesma pergunta que me fez criar o “Abstract Matter”: quem somos nós no meio disto tudo. Só que agora a resposta não vem em imagens épicas ou voz-off etérea. Vem em batidas, em rimas, em gritos, em sussurros. Vem do corpo. Vem da terra. Vem do vazio.
Se o “Abstract Matter” original era o cosmos a falar comigo, esta letra sou eu a falar de volta. E a resposta , tal qual como soa. Espero que gostem.
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