"Segura os Sonhos" é um poema, mais tarde convertido e adaptado para música, construído sobre uma tensão constante entre o colapso e a resistência. A estrutura é para ser ritualística, avançando por ciclos de queda e levantamento. Há também uma dimensão ancestral interessante, com a terra e o corpo a funcionarem como extensões da alma. O sonho não é apenas pessoal, parece herdado, colectivo, mais velho do que qualquer palavra.
Letra:
Segura os sonhos…
antes que o silêncio os engula sem nome,
há vozes antigas escondidas na fome,
há fogo enterrado debaixo da dor,
há um sol oculto à espera do calor.
Quando o sonho quebra, o corpo cai primeiro,
fica o mundo cinzento, vazio e inteiro.
A alma encolhida aprende o silêncio a guardar,
como porta esquecida que ninguém vai abrir,
como rio sem leito que não sabe correr para o mar.
Mas há qualquer coisa que recusa morrer,
uma brasa funda que insiste em arder.
Se o segurares mesmo sem estrada,
ele cresce lento por dentro da madrugada,
um tambor distante a marcar o caminho.
E eu sinto o chão a falar comigo,
um eco que desceu do tempo, sem abrigo.
E eu ouço a terra chamar pelo meu nome,
uma voz mais velha do que a fome.
Segura os sonhos, não os deixes partir,
são rios secretos que te ensinam a seguir.
Quando o peso do mundo te quiser dobrar,
é o fogo escondido que te faz levantar.
Segura os sonhos, mesmo a arder,
são pontes invisíveis para renascer.
No frio mais fundo onde morre a visão,
o sonho é a última luz do coração.
Se deixas fugir aquilo que sonhas,
os dias tornam-se pedras sem memória e as noites, coroas.
A treva invade tudo o que és,
e o silêncio aprende a falar pelos pés.
Mas quando o proteges no meio da guerra,
há algo antigo que desperta na terra,
uma fera de fogo a romper o abismo,
a alma livre de si mesmo.
E eu sigo a voz que ficou no ar,
um sonho escondido que me ensina a voltar.
E eu sigo o fogo que recusa acabar,
uma chama antiga que me obriga a começar.
Segura os sonhos, não os deixes morrer,
são sementes de fogo prontas a crescer.
Quando a noite desce para te consumir,
é o sonho vivo que te obriga a subir.
Segura os sonhos, mesmo a tremer,
são o último grito que te impede de ceder.
No gelo do mundo, na força da dor,
o sonho é a brasa que protege o calor.
Se o sonho morre, o vazio respira.
Se o sonho vive, a alma se ilumina.
Mesmo na sombra que te quer prender,
há um sol invisível pronto a nascer.
Mesmo no peso que te quer calar,
há uma voz profunda pronta a te chamar.
Fecha os olhos… escuta o infinito.
Porque o fogo mais forte não vem da mão,
vem do lugar onde bate o coração.
Segura os sonhos, não os deixes partir,
são rios secretos que te fazem seguir.
Quando o peso do mundo te quiser dobrar,
é o fogo escondido que te faz levantar.
Segura os sonhos, mesmo a arder,
são pontes invisíveis para renascer.
No frio mais fundo onde morre a visão,
o sonho é a última luz do coração.
Segura os sonhos… mesmo no escuro…
porque sem eles o mundo fica mudo.
Segura os sonhos… segura-os bem…
porque a alma sem fogo não volta… nem vem.
…e o tambor… continua… dentro de ti.

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