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Antídoto de agonia


Photo: Marisa Caichiolo

Destas ínfimas imagens,
gravadas nos limos da memória
que compõe os versos desta história
Fiquei calado,
de corpo e alma, abraçado,
ensombrado pelo não aproveitamento
de todas as delícias do momento abstrato.
Do ato que admite os mecanismos do desejo
sobra o gesto espontâneo sobre as sete chaves,
deste enigma, pairam a respectivas claves
da fechadura que cede
e por todas as direções se perde.
Aquele cheiro que flutua no ar
solto, liberto, a divagar
Interessante Mulher em carne
deixa o coração que arde.
Que no grito de voz humana
no fundo do ser emana.
Este doce truque de magia
O verdadeiro antídoto de agonia.

Por isso…

Preparo com amor e com carinho
Em fogo brando
Tempero levemente com o orégãos
Cubro de alecrim
Saboreio aos poucos
Aqui e agora, este
Desejo é de loucos.

Antes que possas perceber
O que está a acontecer
Preparo novamente
Corro em tons suaves e roucos
Devoro aos bocados
Admirando, a "presa" nos meus braços
nesse doce devaneio,
consumido antes do cansaço.

Terminado o ritual
Em ato glorificado
Cruzamos nossas almas
Pensamos em harmonia [Tem dias…],
pois cometemos o delito sem pressas,
nas calmas.

No cálice, sorvemos a seiva da feliz alma que deixa o coração a palpitar.
Sentimento em turbilhão,
como a força de furacão.

Desejo, profundamente.

Alimento.

Guardarei um pouco de ti, pois amanhã ainda é dia.


"Antídoto de Agonia" é um poema de Mestrinho que explora profundamente a temática do amor, da dor e da busca por alívio emocional. A obra é caracterizada por uma linguagem poética rica e intensa, onde o autor utiliza metáforas e imagens vívidas para transmitir a sua mensagem sobre a complexidade dos sentimentos humanos.

Através do título, "Antídoto de Agonia", o poema já sugere uma dualidade: por um lado, a agonia, que representa o sofrimento e as dificuldades que podem acompanhar o amor; por outro lado, o antídoto, que simboliza a cura, o alívio e a esperança. Esta tensão entre dor e alívio permeia todo o texto, refletindo a luta interna do eu lírico diante de suas emoções.

No desenvolvimento do poema, Mestrinho apresenta a dor emocional como uma condição quase inevitável na experiência amorosa. Ele descreve a angústia, o desejo e a saudade de maneira visceral, permitindo que o leitor sinta a intensidade desses sentimentos. Através de uma série de imagens sensoriais, o autor retrata momentos de fragilidade e vulnerabilidade, ao mesmo tempo que evoca a beleza que o amor pode trazer, mesmo em meio ao sofrimento.

Além disso, o poema reflete sobre a ideia de que o amor, apesar de poder trazer agonia, também é uma força vital que oferece significado e propósito à vida. O eu lírico busca um "antídoto" não apenas para a dor, mas também para o desespero que pode acompanhar a ausência do amado. Isso sugere que a busca por amor e conexão é uma necessidade humana fundamental, que transcende a dor e busca a plenitude emocional.

O uso de elementos da natureza e do cotidiano como metáforas dentro do poema serve para reforçar a ideia de que o amor está intrinsecamente ligado à vida e à experiência humana. Mestrinho cria uma atmosfera que convida à reflexão sobre os altos e baixos do amor, reconhecendo que a dor e a alegria muitas vezes caminham lado a lado.

Em resumo, "Antídoto de Agonia" é uma obra que nos leva a uma viagem poética através da dor e do amor. Através de suas palavras, Mestrinho consegue capturar a complexidade dos sentimentos humanos, oferecendo ao leitor uma visão íntima e tocante sobre a busca por alívio emocional e a celebração do amor, mesmo diante da agonia que ele pode muitas vezes causar. É um poema que ressoa com aqueles que já experimentaram o amor em suas diversas formas e contradições.

© Mestrinho

Comentários

Papoila disse…
Mestrinho Magnífico este hino. Lindíssimo e a alegoria à história, ao cálice da vida fascinou-me. Beijo
Light disse…
Ha muito que nao passava aqui,suprrendemte como sempre!

Alimento esse ?!
Para mim...sangue,alma,veias,pulsar,paixao
Politikus disse…
Adorei as tuas palavras, mas amar não se prepara aparece até doer.
laddy C disse…
Oi,
Não há antidoto para a agonia e o sofrimento no amor!
A espera corroi e desgasta...
Maravilhoso poema como todos os outros que tenho lido ao passar aki.
jinhos
Anónimo disse…
Mestre, fiquei deslumbrada com o poder das palavras, do sentido, do sentimento por ti tão bem descrito. Uma autêntica experiência de vida, no poema anterior "Eu Deus de mim. Embebido de ti, deusa de ti própria" falas do crescimento, aqui demonstras-o com mestria. Tens uma transparência positiva que replandece a beleza do amor, do carinho quase erótico. Um bjo
Anónimo disse…
Fiquei entusiasmado pelas lindas palavras que li força continua
Mary Silva disse…
Foi com imenso prazer que recebi a asua visita.
Depois de visualizar o seu blog resta-me desejar-lhe os parabéns pois adorei este agradavel espaço...
Continue sempre...
Sempre que tenha oportunidade "visite-me" que eu farei o mesmo...
Com um beijinho enorme...

Mary
Anónimo disse…
Alimentar o dia seguinte...
Um beijo para ti
Anónimo disse…
E quem disse que a culinária era um universo cheio de sabores ainda inexplorados nunca esteve mais certo... Jinhos :)
eudesaltosaltos disse…
As vezes nao sei q te dzr, nao pq nao gosto, mas sim pq receio tornar-me competitiva ao dzr q gst e mt. jks
Anónimo disse…
Começo a ficar sem saber o que dizer das tuas palavras...

Sei que gosto;
que me prendem ao ecrã

E que muitas delas me fazem viajar...

Beijokas amigo*
Anónimo disse…
Lindissima imagem. Gosto muito da entrada no blog. :)
Tunana disse…
passei aqui por acaso
gostei
e
voltarei :)

blog sedutor
blog interessante

beijo
**Tunana**
Anónimo disse…
Saborear a poesia é isto. Não há dois momentos iguais. O que ela hoje nos dita,amanhã quem sabe o que cantará. Surpresas em turbilhão a tornam bela e digna.
Um bjo e uma flor, poeta