Uma reflexão sobre transformação, memória e libertação, construída em torno da relação entre aquilo que deixamos para trás e aquilo em que nos tornamos.
A passagem do tempo nem sempre apaga o que vivemos. Muitas vezes, transforma-o. O que antes pesava pode ganhar outro significado, e aquilo que parecia perdido pode permanecer como parte essencial da nossa identidade. Entre sombra e luz, silêncio e movimento, surge uma ideia simples mas profunda, não é necessário compreender tudo para continuar. Há momentos em que aceitar é mais importante do que procurar respostas. É nesse espaço de aceitação que nasce uma nova forma de olhar para nós próprios e para o caminho percorrido.
Uma celebração silenciosa da mudança, da consciência e da liberdade de continuar.
Letra:
Na sombra onde adormeço,
acordo e não me conheço.
Um segredo em mim pesa,
como um suspiro que atravessa.
O que fui ficou num fio,
preso entre o pleno e o vazio.
Não apago o que trago dentro,
é nele que ainda me encontro.
Astros em luz de prata,
o tempo em mim se desata.
Astros em luz de prata,
o tempo em mim se desata.
Sigo o rasto desta luz,
onde o riso já apagou.
Dentro de mim, algo conduz
um universo que ainda restou.
Recolho o que ficou dos dias,
não para prender, mas sentir.
O que doeu, o que se ouvia,
é a voz que aprendo a seguir.
Astros em luz de prata,
o que ficou, enfim, desata.
O que se perde fica leve,
guardado no vento, é breve.
Volta um dia, se entender,
mesmo calado, vou ouvir.
Já não procuro o que ficou por dizer,
aceito o silêncio, sem responder.
É nele que atravesso o que fui,
dele nasce tudo o que ainda sou.
Aceito o silêncio, sem responder,
dele nasce tudo o que ainda sou.
Astros em luz de prata,
já nada em mim me ata.
Astros em luz de prata...
já nada em mim me ata...
Já não sou quem despertou na sombra,
sou quem ficou depois da luz passar.
Nos ecos do tempo entendo, enfim,
que nunca estive só.

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